8 de outubro de 2026 • 22:56
Entretenimento

Série traz Fernanda Montenegro como uma mãe viciada em bingo

Dona Laura é uma idosa que tem dois vícios: cigarros e
bingo. Por ter demência, ela é motivo de preocupação da filha, Irene, uma
médica que lidera uma equipe de socorristas nas zonas mais perigosas do Rio de
Janeiro. Essa é a base de ‘Emergência 53’, série da Globoplay assinada por
Andrucha Waddington e Claudio Torres. E a idosa em questão é interpretada por
Fernanda Montenegro.

Como as últimas personagens de Fernanda, Laura escapa dos
clichês reservados aos idosos. “Enquanto meu cérebro entender o que é sujeito,
verbo e predicado, estarei em trabalho de parto cênico”, disse Fernanda, a este
jornal, em março. E cumpriu a promessa.

‘Emergência 53’ é o seu primeiro trabalho feito
exclusivamente para o streaming. “Minha mãe vem pronta e sempre maior, mais
única e mais surpreendente”, diz Claudio Torres, em entrevista.

Waddington, casado com Fernanda Torres, filha de Fernanda
Montenegro, concorda. “Ela vem pronta, cabe a nós não atrapalhar”, diz ele.
“Ela construiu uma Laura marota, sacana, uma mulher vivida”. Contraditória e
sem medo de se arriscar, Laura faz jus, ainda, à reflexão que Fernanda
compartilhou, também a este jornal, na estreia de “Vitória”, quando retornava
ao cinema depois de uma participação curta, mas intensa, em “Ainda Estou Aqui”.

“Tudo pode dar certo como pode dar errado na vida em cena. O
ator ou atriz, interpretando seres humanos, corre, na pele, o mesmo risco. Mas,
às vezes, há sobrevivência. Às vezes. Nada é mais humano do que o meu ofício”,
disse ela, na época.

“Emergência 53” é a segunda série médica de Torres e
Waddington, que trabalharam juntos na criação e direção, respectivamente, de
“Sob Pressão”, que foi ao ar na TV Globo de 2017 a 2021. Dessa vez, porém, a
trama não acontece em um hospital, mas nas ruas e casas onde a equipe precisa
socorrer os pacientes.

Junto à novela “Por Você”, o lançamento de “Emergência 53”
parece ser um movimento da Globo para acompanhar a tendência das séries médicas
nos Estados Unidos, que se popularizaram nos anos 2000 com “Grey’s Anatomy” e
“House” e, agora, renovam sua audiência com “The Pitt”. “O público brasileiro
se identifica muito mais com as nossas histórias quando elas são contadas sob
nosso ponto de vista”, diz Waddington.

Além do dia a dia frenético, a série também se debruça nos
dramas íntimos de cada personagem. Glória, por exemplo, vivida por Heloísa
Jorge, se formou médica depois de muita batalha, mas foi envolvida em um
esquema de superfaturamento. “Há também uma denúncia da série sobre o que
acontece na nossa saúde pública”, diz Jorge. Com um senso ético forte, Glória
vive em conflito com o próprio passado.

“Há o lado humano dessas pessoas que precisam ser
super-heróis, mas também são quebrados”, diz Ana Hikari, que interpreta a
motorista de ambulância Duda. Para complementar a renda, ela também vende fotos
íntimas na internet.

Quem divide o protagonismo com Yara de Novaes é Valentina
Herszage, atriz que fez uma das filhas de Eunice Paiva, encarnada por Fernanda
Torres, em “Ainda Estou Aqui”. Ela vive Manu, uma jovem bem de vida que quer
trabalhar como socorrista. “Ela vai se viciando na adrenalina de salvar vidas,
como muitos profissionais do serviço móvel de urgência contaram para gente”,
diz Herszage, sobre a imersão do elenco com os paramédicos da vida real.

Emergência 53

Onde: Disponível na Globoplay

Classificação: 16 anos

Autoria: Claudio Torres e Andrucha Waddington

Elenco: Yara de Novaes, Fernanda Montenegro e Valentina
Herszage

Produção: Brasil, 2026

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