22 de setembro de 2026 • 00:20
Entretenimento

Médium cearense é investigada por falsificar cartas psicografadas

Foto/Reprodução

O Fantástico, da TV Globo, exibiu no último domingo uma
investigação de dois meses sobre a médium cearense Maira Rocha, acusada por
famílias de usar informações disponíveis na internet para elaborar cartas
apresentadas como psicografadas de parentes mortos. Ela também enfrenta
acusações de ameaças, charlatanismo e estelionato.

Quem é Maira Rocha

Maira Rocha é natural de Jati, no Ceará, advogada de
formação e servidora do Ministério da Saúde. Ficou conhecida no meio espírita
como médium e, no início de 2026, fundou a Casa da Caridade Inácio Daniel,
instituição voltada para atividades assistenciais e espirituais que atende
cerca de 5 mil pessoas por mês e sobrevive de doações. Entre as atividades
estão a distribuição de alimentos e roupas, atendimentos espirituais e as
chamadas cartas consoladoras.

Ela afirma ouvir espíritos desde os sete anos de idade.
“Desde os sete anos que eu me conheço por falar com os espíritos. Até
então eu não intitulava a eles espíritos, porque eu não tinha conhecimento,
eram amigos como são hoje, só que desconhecidos meus”, relatou em palestra
de 2019. Sua prima Márcia Rocha, no entanto, afirmou ao Fantástico nunca ter
percebido qualquer manifestação mediúnica durante a infância de Maira e
contestou a origem de alguns relatos da médium.

As denúncias

Famílias em situação de luto relataram ao programa ter
identificado nas cartas informações que estavam disponíveis publicamente na
internet. A empresária Marina Escames, que perdeu o marido para a leucemia,
disse ter procurado Maira para receber notícias do companheiro. A comerciante
Marcela Magalhães, que perdeu o filho Henrique, de 18 anos, em um acidente de
carro, descobriu que a médium havia descrito o jovem como “jogador de
futebol” — a mesma descrição equivocada que aparecia em uma reportagem
sobre o acidente que havia sido publicada na internet, junto a uma foto do
rapaz com uniforme esportivo.

Diva Mascarenhas Borges também relatou problemas: uma carta
recebida mencionava a esposa do falecido como destinatária de uma mensagem, mas
a mulher havia morrido um ano antes. A carta também trazia nomes originais de
registros civis de irmãos adotivos que, na vida cotidiana, usavam outros nomes.

O presidente da Federação Espírita do Distrito Federal,
Paulo Costa, afirmou ter recebido relatos de diversas pessoas com situações
semelhantes. Há registros policiais contra Maira em ao menos cinco estados,
envolvendo suspeitas de estelionato, charlatanismo, calúnia, difamação e
ameaça. O Ministério Público também recebeu denúncias sobre suposta apropriação
indébita e desvio de recursos.

As ameaças

Marcela Magalhães afirmou ter sido ameaçada pela médium após
questionar seu trabalho. Segundo ela, Maira teria dito que poderia fazer uma
transmissão ao vivo para revelar informações pessoais que haviam sido
confidenciadas durante um momento de fragilidade. Em vídeos exibidos pelo Fantástico,
a própria Maira faz declarações em tom de advertência a quem questionar seu
trabalho.

A versão dela e os defensores

Procurada pelo programa, Maira Rocha não aceitou gravar
entrevista. Apesar das denúncias, ela também é defendida por pessoas que afirmam
ter recebido cartas com informações que, segundo elas, a médium não poderia ter
acessado. Um homem que perdeu o filho em um assalto em 2018 diz ter recebido
uma mensagem cinco anos depois com detalhes como seu apelido, um cordão de ouro
presenteado pelo filho e o nome de sua loja. Outra mulher afirma que a carta
recebida após a morte do filho pela Covid-19 continha detalhes que só ela e o
jovem conheciam.

Relacionadas