Um dia depois de ser eleito governador do Maranhão, Eduardo
Braide (PSD) afirmou nesta segunda-feira (5) que as contas públicas estarão
entre as primeiras prioridades de seu governo e anunciou uma auditoria sobre o
empréstimo de R$ 1,3 bilhão contratado pelo governo do Maranhão junto ao Banco
do Brasil. Em entrevista à CNN, ele também prometeu um “choque de gestão” na
saúde nos primeiros 100 dias e disse que ainda não definiu seu posicionamento
no segundo turno da eleição presidencial.
Braide venceu a eleição no primeiro turno com 2.104.122
votos. Na entrevista, atribuiu o resultado principalmente à gestão que realizou
em São Luís e disse considerar a eleição uma demonstração de que o eleitor
colocou a avaliação administrativa acima da polarização nacional. Na capital,
ele recebeu 467.634 votos, ou 75,92% dos válidos.
Ao falar sobre os primeiros atos no Palácio dos Leões, o
governador eleito colocou as contas públicas no topo da lista. Braide afirmou
que fará um “pente-fino” nas despesas do Estado e disse que pretende começar
pela operação de crédito de R$ 1,3 bilhão contratada pelo governo Carlos
Brandão.
“Minha primeira medida como governador será fazer um
pente-fino, uma auditoria em cada centavo desse dinheiro”, afirmou.
Braide acusou o atual governo de ter utilizado rapidamente
os recursos e disse que pretende recorrer à Justiça caso encontre
irregularidades. “O povo do Maranhão não vai pagar essa conta de campanha do
atual governador do Estado”, declarou.
A operação de R$ 1,3 bilhão foi contratada junto ao Banco do
Brasil, com garantia da União, para investimentos em infraestrutura rodoviária.
Antes da eleição, o empréstimo já havia sido alvo de questionamentos na Justiça
Eleitoral. Em 18 de setembro, o TRE-MA negou um pedido de liminar que buscava
suspender sua execução, apontando, naquele momento, ausência de prova
suficiente de desvio de finalidade eleitoral.
Outro foco anunciado por Braide será a saúde. Ele afirmou
que pretende promover mudanças na administração dos hospitais estaduais já nos
primeiros 100 dias, substituindo indicações políticas por gestores técnicos,
ampliando a contratação de profissionais e aumentando a oferta de exames.
Segundo o governador eleito, a deficiência da rede estadual
no interior acaba sobrecarregando hospitais de urgência e emergência de São
Luís. “A primeira atitude [será] tirar os políticos de dentro dos hospitais do
Estado. Vamos colocar técnicos”, disse.
Braide também colocou a recuperação das rodovias estaduais
entre as prioridades da próxima gestão e voltou a criticar a carga tributária
do Maranhão. Durante a entrevista, citou a alíquota modal de 23% do ICMS e
relacionou a cobrança aos indicadores sociais do estado.